
Desde sexta-feira, 2 de outubro, o céu noturno está mais generoso. Começou a chuva de meteoros Orionídeas, formada pelos fragmentos deixados pelo Cometa Halley. O fenômeno segue ativo até 7 de novembro, com pico esperado na madrugada de 22 de outubro, com até 20 meteoros por hora em céu limpo e sem nuvens. O cometa que originou tudo isso já se foi há muito tempo, mas o rastro que ele deixou ainda risca o céu de luz. E é esse resíduo transformado em brilho que o céu do momento, lido ao lado do tarot, ajuda a entender.
No momento em que a chuva de meteoros Orionídeas entra em atividade, a Lua está em Câncer, o Sol caminha por Libra em tensão com Saturno. E a carta que conversa com esse céu é A Estrela. Ela fala exatamente sobre a luz que continua guiando mesmo depois que a origem dela já passou.
A carta do tarot em diálogo
A Estrela é a carta que nasce desse clima. Na tradição do tarot Waite-Smith, ela aparece depois da ruptura, depois que algo precisou cair ou ser confrontado, e mostra uma figura ajoelhada à beira da água, sob um céu coberto de estrelas, derramando duas jarras, uma sobre a terra, outra sobre a água que já existia. Rachel Pollack descreve essa carta como o momento da confiança silenciosa, a esperança que chega não porque o problema desapareceu, mas porque alguém decidiu continuar nutrindo a vida mesmo depois da perda.
É exatamente o que a chuva de meteoros Orionídeas representa no céu físico. O cometa que gerou aquela poeira já não está mais ali, mas o que ele deixou continua caindo, continua acendendo o escuro. A Estrela não promete apagar o peso de Saturno. Ela mostra outra coisa, que o resíduo de uma passagem, por si só, já pode ser luz. O brilho rápido do trígono entre Sol e Urano também tem essa cara, aquele insight que atravessa a mente como um risco no céu, breve, mas suficiente pra iluminar o caminho por um instante.
O que isso ilumina?
A chuva de meteoros Orionídeas e a carta A Estrela, juntas, convidam a um exercício simples. Pense em algo que já terminou na sua vida, um ciclo, uma fase, uma relação, um trabalho. Em vez de tratar esse fim como perda pura, vale perguntar o que daquela passagem ainda ilumina o seu presente. Às vezes, não é o fato em si que continua, é o que ele deixou de aprendizado, de afeto, de jeito de olhar o mundo.
Essa noite, se o céu estiver limpo, vale uma pausa pra buscar os rastros da chuva de meteoros Orionídeas. Não é preciso entender tudo sobre o Cometa Halley pra sentir o convite da carta da Estrela, apenas notar que ainda existe luz vindo de longe, e que ela chega até você.