
A primavera chegou oficialmente ao Brasil nesta terça-feira, no instante em que o Sol ingressou no signo de Libra, às 21h05 pelo horário de Brasília. É o equinócio de setembro, o momento em que o dia e a noite ficam praticamente do mesmo tamanho em todo o planeta. No tarot, um céu de travessia como esse, de encontro entre dois estados, pode conversar diretamente com a carta da Temperança. Se o mundo lá fora está buscando o próprio ponto de equilíbrio, que equilíbrio você anda tentando encontrar por dentro?
O que o céu do momento diz?
O equinócio de setembro não é só uma data no calendário. É a própria mudança de signo do Sol que marca a virada de estação, saindo do signo do ajuste e da terra para o signo do equilíbrio e das relações.
Enquanto isso, a Lua segue crescente, em Aquário, formando um sextil com Saturno. É um aspecto de apoio, que dá estrutura para lidar com mudanças sem perder o chão. Já Aquário pede um pouco de distância para enxergar o quadro inteiro, e Saturno ajuda a sustentar essa clareza sem drama.
O Sol também faz sextil com Marte, o que sugere energia disponível para agir, e trígono com Plutão, combinação que favorece transformações mais profundas acontecerem com menos resistência. Já a oposição do Sol com Netuno pede atenção.
Num dia de tanta transição, é fácil confundir esperança com ilusão, e vale checar se aquilo que parece promessa é mesmo real ou só um reflexo bonito.
A carta do tarot que dialoga com esse céu
Não é à toa que a Temperança aparece como resposta simbólica para esse céu. Na tradição do baralho Rider Waite Smith, lida por autoras como Rachel Pollack, a carta mostra um anjo com um pé na terra e outro na água, misturando o conteúdo de dois cálices. Ao fundo, o sol nasce entre duas montanhas, imagem que evoca justamente a travessia do equinócio, o instante em que dia e noite se equivalem antes de a luz seguir crescendo.
A Temperança não fala de extremos. Ela fala de mistura, de paciência, de encontrar a medida certa entre lugares que parecem opostos, luz e sombra, ação e descanso, razão e sentimento. É a carta da alquimia silenciosa, aquela que transforma sem pressa e sem drama.
O que esses símbolos estão iluminando?
O equinócio de setembro fecha o ciclo dos meses mais introspectivos e abre espaço para uma estação de mais luz, mais convívio e mais movimento lá fora. Mas antes de sair correndo atrás do novo, a Temperança sugere uma pausa. Vale perguntar o que, dentro de você, ainda pede equilíbrio. Talvez seja a relação entre trabalho e descanso, entre cuidar dos outros e cuidar de si, entre falar e escutar.
Uma forma simples de aproveitar essa energia é fazer, agora, um pequeno balanço pessoal. Pode ser escrever num papel o que você quer deixar para trás junto com o outono e o inverno interior, e do outro lado o que você quer levar para essa nova estação. Não precisa ser perfeito nem imediato. A Temperança trabalha aos poucos, gota a gota, como quem mistura duas águas até chegar numa cor só.
O céu do momento não promete nada e não decide nada por você. Ele só marca uma travessia que já está em curso lá fora. Cabe a cada um decidir como atravessar o próprio equinócio interno. Que tal, no fim do dia, parar um minuto para observar essa passagem, sem pressa de já saber o que vem depois?