
Nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, teve início na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, a 16ª edição da ArtRio, uma das feiras de arte mais relevantes da América Latina. Mais de 70 galerias apresentam suas obras, até 20 de setembro.
No céu do momento, a Lua terminou sua travessia por Escorpião e entrou em Sagitário. Esse movimento tem tudo a ver com o que pulsa por trás de uma feira de arte, a coragem de se mostrar. E podemos aproveitar também a simbologia do tarot, para refletir sobre a coragem de expor a própria criação ou as obras que determinada galeria abriga, sob a simbologia da carta do Julgamento.
O que o céu diz?
O destaque do dia é a troca de signo da Lua, de Escorpião a Sagitário, e seus aspectos. A Lua forma um trígono com Netuno, abrindo um canal sensível para a inspiração. Mercúrio está em oposição com Saturno, trazendo aquele pensamento crítico demais, a voz interna que julga antes mesmo de terminar a frase, mas o mesmo Mercúrio forma um trígono com Urano, favorecendo ideias originais e a coragem de romper com o óbvio.
Já Vênus está em quadratura com Plutão, tensão que mexe com o que a gente ama mostrar e o medo de ser visto de forma intensa demais. E o Sol em Virgem forma um sextil com Marte, energia prática para lapidar um trabalho antes de apresentá-lo.
A carta do tarot que dialoga com esse céu
É desse movimento da Lua, saindo do fundo simbólico de Escorpião e entrando no fogo expansivo de Sagitário, que podemos pensar sobre a carta do Julgamento. Na tradição de Waite-Smith, a carta do Julgamento mostra figuras humanas se erguendo de dentro de túmulos ao som da trombeta de um anjo, respondendo a um chamado que as tira do esconderijo e as coloca de pé, à mostra de todos.
Essa carta fala de um momento de autoavaliação honesta, em que a pessoa é chamada a se apresentar como realmente é, sem máscara. A imagem conversa direto com a passagem da Lua. Escorpião representa o lugar onde a gente guarda o que ainda não tem coragem de mostrar, fala sobre as profundezas. Por sua vez, Sagitário pode representar o chamado que convida a sair de lá e se erguer.
Além disso, com a tensão de Mercúrio com Saturno, podemos refletir sobre esse julgamento crítico que a gente carrega antes mesmo de alguém dizer qualquer coisa. Em suma, é basicamente isso que a reflexão com essa carta pode pedir, para atravessar esses desafios como um convite a se reconhecer com mais verdade e capacidade de expressar algo valioso.
O que essa carta ilumina?
É esse mesmo movimento que sustenta uma feira como a ArtRio. Colocar uma obra numa galeria, à vista de dezenas de expositores e do público que circula pela Marina da Glória, é um pequeno julgamento particular. É sair do ateliê, do processo silencioso e cheio de dúvida, para a vitrine global de uma galeria, onde qualquer pessoa pode olhar, gostar ou discordar, e decidir ou não adquirir tal peça.
Isso vale para muito além da arte visual. Vale para quem está prestes a compartilhar um projeto, escrever algo pessoal, defender uma ideia ou dizer em voz alta o que pensa. A carta do Julgamento não promete aplauso. Ela lembra que a coragem de se mostrar já é, em si, um tipo de vitória, porque exige sair do lugar seguro das próprias profundezas.
Alguns sinais de que essa energia pode estar batendo à sua porta hoje:
- Vontade de compartilhar algo que estava guardado havia tempo
- Autocrítica mais alta que o normal, puxada pela tensão entre Mercúrio e Saturno
- Medo de ser visto com intensidade demais, efeito da quadratura de Vênus com Plutão
- Inspiração maior que o normal para criar, vinda do trígono de Lua com Netuno
- Disposição extra para lapidar um trabalho antes de apresentá-lo, com o sextil de Sol e Marte
Perceber esses movimentos não muda o resultado de nada, mas ajuda a atravessar a exposição com mais consciência e menos peso. Enquanto a Lua está em Sagitário, vale observar o que dentro de você está pronto para sair e se erguer ao som da própria trombeta. Não para ser aplaudido, mas para ser, enfim, visto.